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Este blog reflete sobre os nossos grandes valores humanos, sociais e religiosos.

sábado, 1 de junho de 2013

Homilias do Papa em Santa Marta: aclaração do Pe. Federico Lombardi


Todos os dias o Papa celebra a santa missa na  capela de Santa Marta para um grupo de fiéis, pouco mais de 50 pessoas. Muitos têm perguntado se podem aceder a tais celebrações e homilias de forma completa. O Papa tem pedido que não se transmitam tais missas e homilias por vídeo ou se publique o texto completo das homilias, dado o caráter de familiaridade que deseja ter com tais grupos.

As homilias não são pronunciadas com um texto escrito, mas de forma espontânea. A continuação se publica sempre um resumo. A transcrição completa de tais homilias dado a diferença da forma escrita e forma oral de pronunciar um discurso.

Depois de uma atenta reflexão, se decidiu publicar uma ampla síntese, para que todos os fiéis possam enriquecer-se e ter acesso às palavras do Papa. Nestas sínteses, vem colocadas frases originais entre aspas, refletindo o sabor genuíno das expressões do Santo Padre.

Assim também, se dá a entender corretamente a diferenciação entre os diversos tipos de pronunciamentos do Sucessor de Pedro. Aqueles mais formais e públicos, e estes, mais espontâneos.

sexta-feira, 31 de maio de 2013

O racionalismo

 Até agora temos visto algumas dificuldades externas que influenciam sobre nós e dificultam o nosso crer. Hoje vamos falar de um mais pessoal, mais interno: o racionalismo.

Quantas vezes escutamos pessoas dizendo que são ateias. Outros, agnósticos. No fundo, afirmam que não podem aceitar no seu raciocínio a probabilidade que Deus exista. “É impossível”, dizem.

Mas quero falar aqui de outro racionalismo. Não o que nega a fé, mas aquele outro que temos, nós que cremos, muitas vezes e limitamos a nossa fé. “Por que Deus permite isso, não entendo”; “mas se fiz tudo certo, por que Deus me mandou isso”; etc.

Queremos entender o atuar de Deus, e isso, muitas vezes, é impossível. Por uma simples razão: Deus nos sobre passa. É verdade, gostaríamos de entender para poder, vendo mais claro, ter uma melhor atitude diante do que Deus permite. Mas nem sempre Ele permite que compreendamos. Como filhos, confiemos plenamente no nosso Pai do céu, Ele só quer o melhor para nós.

Diz santo Agostinho: “se Deus entrasse na sua cabeça, não seria mais Deus”. Confiemos, essa é a melhor atitude. Jesus aconselhou a Tomé: “bem-aventurados os que creem sem ter visto, porque deles é o reino dos céus”.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Por que é difícil crer? (4) a laicidade


Hoje em dia se fala muito de pensamento laico, moral laica, ciência laica, política laica. É necessário formar um conceito claro do que significa laicidade. Em realidade, hoje a laicidade vem entendida comumente como exclusão da religião dos âmbitos da sociedade e colocado só no âmbito da consciência individual.

As consequências levam por parte da Igreja, a não poder intervir em temáticas relativas à vida e ao comportamento dos cidadãos (fale-se de aborto, métodos conceptivos, eutanásia, etc.) e inclusive a eliminar toda forma de símbolo religioso de lugares públicos como escolas, hospitais, presidiários, etc. No fundo, na base de tal reflexão, reina uma visão a-religiosa na qual Deus não tem lugar, nem uma moral de valor absoluto, vigente em todo tempo e circunstância.

É verdade, é importante que o setor político seja o que defina o ordenamento político e social. Mas, é compromisso de todos constituir um verdadeiro conceito de laicidade que, como diz Bento XVI, “por uma parte reconheça à Deus e à sua lei moral, à Jesus Cristo e à sua Igreja o lugar que lhes corresponde na vida humana, individual e social, e por outra parte, afirme e respeite a legítima autonomia das realidades terrenais”.

A Igreja não pode indicar qual ordenamento político e social se deva preferir, mas, é o povo quem deve decidir livremente os melhores e mais adaptados modos de organizar a sua vida política. Por outra parte, a “reta laicidade” comporta que o Estado não considere a religião como um simples sentimento individual, confinado ao âmbito privado, mas a reconheça como presença comunitária pública.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Por que é difícil crer? (3) O secularismo


         Todas as coisas que verdadeiramente valem nesta vida tem um preço, e quanto mais preciosa, mais custosa. Assim é o tesouro da nossa fé, da nossa experiência de crer e de amar um Deus que se fez uma pessoa, que se fez rosto em Jesus Cristo.



         Um terceiro obstáculo para a nossa fé podemos sinalar o secularismo. Esse “progresso” que se banta ter o mundo de hoje. É importante distinguir. Secularização é o Sistema que defende a separação entre a igreja ou a religião e o Estado ou a política, e isto está muito bem sobre tudo se buscam o bem comum como finalidade última. Secularismo é a aversão e o movimento de arrancar da sociedade qualquer manifestação religiosa, qualquer fé.

         O secularismo se encontra em diversos graus. Em uns lugares é muito agressivo, em outros, mais moderado.

         É verdade, na sociedade que nos encontramos hoje em muitos aspectos anelamos uma visão mais profunda, mais sobrenatural, mais transcendental. Será difícil mudar. Mas o cristão está chamado a ser esse grão de levedura, embora pequeno, simples, humilde fermenta toda a massa.

Por que é difícil crer? (2) Absolutizar a liberdade

         A liberdade é o maior valor que temos. O dom da inteligência e da liberdade nos dá a dignidade de seres humanos. Como pode ser então que a liberdade possa ser uma dificuldade que nos impeça crer?
        
          Quando a entendemos e usamos mal e a rendemos sopra qualquer outra coisa pode obstaculizar e muito essa visão tão especial que é crer. Liberdade não significa fazer o que se quer. Isso é libertinagem. Não podemos dizer sim a tudo o que querem as crianças. Sabemos o que é bom ou mal e julgamos por elas. Esse é um bom exemplo. A liberdade não é fazer tudo o que se deseja desenfreadamente mas, discernindo entre o bem o mal, tomamos uma decisão. 

         A liberdade nos ajuda a descobrir e optar pela verdade, pelo bem. E quem é o maior bem e verdade? Aquele que disse: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”.
 
 
 

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Por que é difícil crer?


A nossa experiência nos diz que não é tão fácil crer muitas vezes. Encontramos várias dificuldades para dar o nosso ato de fé, dificuldades dentro de nós mesmos e fora.

Comecemos analisando uma dificuldade externa: a nossa sociedade sem Deus. O mundo de hoje experimenta um grande progresso a uma velocidade incrível. As ciências, as comunicações, têm melhorado muito para nosso grande benefício. Mas, ao mesmo tempo subiu ao primeiro lugar do pódio e tirou para si toda a atenção, fazendo-nos pensar do seu jeito, com os seus critérios e modos.

Hoje em dia temos mais conhecimento dos sistemas que nos rodeiam. Conhecemos suas causas, seus mecanismos, seus efeitos. E essa mente científica sem nós querer nos está levando a crer somente o que podemos calcular, comprovar, tocar com os nossos sentidos e a ser muito incrédulos do que não está tão ao alcance das nossas mãos.
 
Diz o Papa Bento XVI: mas, quando é que a razão domina verdadeiramente? Quando se separa de Deus? Quando se faz cega para Deus? A razão do poder e do fazer é a razão inteira? A razão se converte em verdadeiramente humana quando está em grau de indicar o caminho para que tomemos uma decisão correta. E isso ela só consegue vendo mais além de si mesma. Caso contrário, ela pode chegar a ser uma verdadeira ameaça para o homem.

Digamos de modo simples: o homem necessita de Deus, se não, permanecerá privo de esperança. Um mundo sem Deus é um mundo sem alma, entregue nas mãos dos homens que temos também um lado tão perverso. Cada gesto de amor que fazemos ou que recebemos dos demais é um reflexo do amor de Deus que está atuando em primeira pessoa naquele momento.

No fundo, a fé jamais poderá morrer porque cada gesto de amor é um grito de que Deus está presente. No meu coração quando sou eu que faço o gesto, e nos demais quando recebo ou sou testemunho de um ato de amor deles. O amor revive a fé, o reconhecimento que Deus existe e está aqui.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Existe uma Divina Providência


Até agora viemos analisando o problema da existência do mal no mundo. A pergunta natural que surge é: mas, Deus cuida de mim? Ele é quem guia os caminhos da vida, os meus caminhos?

         A resposta é positiva. Deus está sempre do meu lado, cuida de mim com amor infinito, me conduz à realização plena. Damos o nome de Divina Providência às “disposições pelas quais Deus conduz com sabedoria e amor todas as criaturas até o seu fim último” (Catecismo, nº 321).

 
         Deus nos criou para conhecê-lo e amá-lo nesta vida e gozar eternamente Dele no céu. Mas, ante esta enorme verdade, diz João Paulo II, o homem encontra paradoxalmente no seu coração um duplo e contrastante sentimento: por uma parte, somos levados a acolher e a confiar neste Deus Providente e por outra, tememos e duvidamos de abandonar-nos nas mãos de Deus, ora porque ofuscados das coisas, nos esquecemos do Criador, ora porque marcados pelo sofrimento, duvidamos que Ele seja um pai.

         Deus guia os nossos passos com amar, jamais infringe a nossa liberdade. Ele deixa nas nossas mãos a decisão. A liberdade é o maior dom que o homem tem, pois por ela podemos escolher e optar pelo que sentimos no nosso coração que seja o correto; mas também podemos não usá-la bem e fazer o mal a nós mesmos e aos demais. Ainda assim Deus não viola as nossas decisões.

         Quem nos criou, com a sua infinita inteligência, ternura, sabedoria e guia envolve o nosso existir e nos conduz à perfeição que consiste em chegar à meta que é o paraíso, para o qual fomos criados e ao qual vamos em caminho.
         Tomara que nas nossas bocas mas, sobre tudo no nossos corações, estejam sempre aquelas palavras: “Deus está vendo”, “Deus sabe tudo”, “que se faça a vontade de Deus”, “Deus escreve reto em linhas tortas”.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

A minha experiência do Exorcismo


O demônio existe realmente e exercita a sua força maléfica sobre nós. Ele nos quer arrastar ao seu reino.

A ação do anjo desobediente se divide em dois modos basicamente: o seu obrar ordinário como as tentações, as seduções ao pecado, etc. e o seu obrar extraordinário que são muito tristes: a infestação, vexação, obsessão e possessão. Para curar essa ação extraordinária do demônio é necessário a oração de libertação ou o exorcismo. Em Roma, durante esta semana, estamos fazendo um curso de especialização nesta matéria.

Logotipo do curso em Roma
 
Esses encontros que vão das 8:00 às 18:30 são realmente maravilhosos. Estamos aprofundando no tema, as suas implicações, consequências, exposição de casos, testemunhos, etc. Uma maravilhosa experiência, não de medo ou curiosidade. Atenção!  Mas experiência de Deus. Porque, como durante os exorcismos se mostra o crucifixo, não como amuleto, como superstição para repelir quem sabe que forças negativas ou maléficas, mas para que o demônio veja que tem a batalha perdida, porque Cristo já o venceu. E contra nós ele não pode fazer nada se não lhe permitimos, porque Jesus o venceu, a sua força é infinitamente maior que a do mal.

Essa é a minha experiência do exorcismo. Não devemos ter medo ou ver sinais maléficos em todas as partes. Se existem problemas, efeitos paranormais logicamente devem ser purificados. Mas, uma alma que está em amizade com Deus, que reza e que recebe os sacramentos, especialmente a confissão e a comunhão com frequência, não há o que temer. Nada lhe pode fazer o menor dano ou influência. Na sua alma mora Jesus e, Jesus é a nossa força, o nosso escudo, a nossa fortaleza.

domingo, 14 de abril de 2013

Evangelho de hoje: a pesca milagrosa


Os encontros entre as pessoas que se amam são maravilhosos. Jesus ressuscitado se aparece aos seus discípulos quando eles estavam pescando no mar de Tiberíades.


 

         Durante toda a noite se fatigaram, sem nenhum fruto. A desolação, o desânimo, a tristeza golpeia a alma desses pobres pescadores. De repente, uma silhueta no horizonte, a vários metros de distância, lhes aconselha: “Lançai a rede à direita da barca, e achareis”. E naquele momento tudo mudou.
         Como se modifica a nossa vida quando Jesus está presente, quando Ele é o que nos aconselha, o que nos guía, o que nos diz o que fazer. Tudo cobra uma nova luz, de repente, tem sentido. A lição que nos narra neste 3º domingo de Páscoa o evangelista João é importantíssima. Deixemos nas nossas vidas que Jesus caminhe sempre do nosso lado, não nos distanciemos jamais de perto Dele. Então os frutos virão. Frutos que poderão ser milagres materiais, “cento e cinquenta e três grandes peixes” ou, os mais importantes ainda mesmo que não se vejam, os milagres interiores, a minha adesão à Jesus. E então poderemos afirmar como São Pedro: “Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que eu te amo”.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

O sofrimento tem sentido?


Estamos analisando o problema do mal e esse difícil interrogativo sobre por que Deus o permite. No artigo anterior vimos que Deus permite o mal no mundo, mas é sempre para um bem maior (ver).
         Perguntamos: como conciliar o mal e o sofrimento com a Divina Providência. Para responder, a melhor forma é olhar para Jesus, o rosto humano de Deus. Pela sua cruz podemos entender que Deus está presente com cada homem no seu sofrimento, já que Ele tomou sobre si a multidão de sofrimentos da humanidade. Além do mais, Cristo nos ensina que o padecer possui um valor e uma força de redenção e salvadora.

Assim, a cruz não é só um instrumento escuro, insuportável nas nossas vidas, mas se converte em luz que ilumina e dá um novo sentido ao nosso caminhar. As circunstâncias da vida são muito duras muitas vezes. Mas porta frutos sobrenaturais, benefícios mesmo que seja difícil entender num primeiro momento. Assim se entende a frase de São Paulo: “Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, a angústia, a perseguição, a fome, a nudez, o perigo, a espada?” e conclui: “Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida... poderá nos separar do amor de Deus”(Rom 8,35-39).

É verdade, ao interrogativo sobre o mal e o sofrimento não encontramos uma resposta imediata. Só gradualmente e com a ajuda da fé alimentada pela oração, se descobre o sentido verdadeiro do sofrimento. Se descobrirmos mediante a fé esta potência e “sabedoria”, nos encontramos na via salvadora da Divina Providência.

"Se eu não colocar o meu dedo nas suas chagas, não acreditarei"


O apóstolo Tomás não estava presente quando Jesus apareceu-se aos demais discípulos e não acreditou nas suas palavras. “Se eu não colocar o meu dedo nas suas chagas, não acreditarei”. É verdade, a fé é difícil porque não vemos, não tocamos. E precisamos ter uma certeza para que algo seja acreditável. Por isso mesmo a fé não é um ato humano mas divino, porque acreditamos sem ver, sem tocar, sem ter essa certeza que provém dos sentidos.

Jesus tem que dar uma prova para Tomás, e quando ele vê a sua incredulidade cai de joelhos diante do Senhor pedindo a sua misericórdia: “meu Senhor e meu Deus”. E o Senhor responde com uma bem-aventurança: “bem-aventurados os que crêem sem ter visto”.
           Não é fácil crer, não é fácil ver a mão de Deus muitas vezes nas nossas vidas, nos acontecimentos e sobre tudo nas cruzes que o Senhor permite nas nossas vidas. Mas que grandeza de espírito aquele que mesmo sem ver dá o passo, se fia. Esse será bem-aventurado. Não nos desanimemos quando nos falta a fé, também um apóstolo do Senhor hesitou. Mas peçamos sempre com humildade e simplicidade a fé, a graça de crer mesmo sem ver, sem tocar, sem escutar. “Bem-aventurados os que crêem sem ter visto”.

Páscoa de Ressurreição!


Exulte a terra, glória no alto dos céus, o Senhor ressuscitou!
      A ressurreição de Jesus é a nossa maior esperança. Tanto é assim que diz São Paulo “se Cristo não houvesse ressuscitado, vã seria a nossa fé”. A ressurreição de Cristo nos faz esperar a nossa própria ressurreição no fim dos tempos.

Se pararmos para pensar: se não houvesse a vida eterna que sentido teria viver uma vida coerente, nos valores e na moral; que sentido teria a consagração de tantas pessoas que doam a sua vida a Deus e aos demais. Sem dúvida é porque se acredita na vida eterna, acredita-se que vale mais a pena a vida futura que qualquer outra coisa neste mundo.

Cristo Jesus ressuscitou e nós também ressuscitaremos no último dia. Vivamos esta vida com os olhos no paraíso e esperando esse maravilhoso momento da vida que é vida, da vida que não terminará jamais, da vida eterna.
Desejo a todos uma feliz Páscoa de Ressurreição!

Sábado Santo


Hoje é um dia de luto. Jesus desceu à mansão dos mortos. O que significa para um cristão a morte? Sem dúvida é uma tragédia, um mal, consequência do pecado original. Diz o livro da Sabedoria: “Deus não é o autor da morte, a perdição dos vivos não lhe dá alegria alguma. Ele criou tudo para a existência” (1,13-14).

 
O diferente é o Jesus com a sua morte no Sábado Santo nos ensinou. Que a morte não é a última palavra. Esta vida é uma peregrinação, um passo, um caminho à vida definitiva e eterna, na Casa do Pai, à nossa verdadeira casa para a qual fomos criados.

Quando vemos a morte como um passo, com fé, é então quando podemos aceitar essa realidade que tanto nos dói e faz sofrer. Maria, ao pé da cruz, sofria terrivelmente ao ver o seu filho crucificado. A fé era a sua fortaleça neste momento onde tudo parecia cair.

Vivamos nossas vidas com os olhos fixos na eternidade. Preparemo-nos cada dia para o nosso grande encontro com o nosso Pai e criador. Não temamos este momento, mas tenhamos fé. O Senhor que ressuscitou ao terceiro dia também nos ressuscitará.

No entanto, a morte existe. Pelo pecado original a nossa natureza sofreu a imperfeição, a debilidade e a contingência. Somos criaturas materiais que terminam o seu percurso na terra.

Sexta-feira Santa


“Por volta da hora nona fez trevas na terra”. Deus, em quanto homem, morre. Pendurado numa cruz, objeto de desprezo e zombaria. Quis dar a vida por nós da forma mais humilhante. Este é o preço da nossa redenção, isso foi o que custou para Jesus a nossa salvação.
          Mas, sendo Deus, não poderia apenas dizer uma palavra para redimir-nos, assim como fez para criar o mundo? Poderia, pois Ele é Deus e onipotente. No Gênese, quando Deus criou o homem, diz o relato que não fez como as demais criaturas. Para as outras criaturas Deus apenas disse e foram feitas. Quando criou o homem pegou barro e o modelou, logo soprou o seu espírito e nos deu vida.


     Sem dúvida o homem e a mulher são seres muito especiais para Deus. Ele podia ter-nos redimido de uma forma muito menos dolorosa de como nos salvou, mas por que não o fez? Porque queria mostrar-nos o seu amor, como nos demostrou ao criar-nos modelando-nos com carinho, com amor, cada detalhe.
          
        Sem este gesto talvez nós valorizaríamos muito menos a nossa redenção. Obrigado, Jesus, pelo teu amor e pela tua entrega por mim na cruz. Eu sei o quanto isso significou para ti de dor, de sofrimento, de desprezos. Ajudai-me a valorizar cada gota do teu sangue derramada para purificar a minha alma. Hoje tu abriste as portas do céu. Quero entrar e permanecer contigo eternamente.

Quinta-feira Santa

           Hoje é um dia muito especial. Começamos o tríduo sacro, três dias nos quais os cristãos celebramos os maiores mistérios da nossa fé: a paixão, morte e ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo.

      Na Quinta-feira Santa Jesus nos deu três grandes presentes: a Eucaristia, o sacerdócio e o mandamento do amor: “amai-vos uns aos outros como eu vos tenho amado”.

           Tanto nos ama Jesus que não pode voltar ao Pai sem permanecer ao mesmo tempo também conosco. Os que moramos longe dos nossos lares sabemos bem o que significa de sofrimento, de saudades não ter perto os seres querido. Jesus não quis ficar longe de nós e por isso decidiu permanecer na santa Eucaristia.

“Eis o meu corpo. Eis o meu sangue”. Cristo está realmente presente baixo as espécies de pão e vinho. Dizia uma vez um amigo protestante na Colômbia: “se eu tivesse a certeza que o meu Deus estivesse realmente presente numa igreja jamais me separaria dali”.
            Jesus merece o nosso carinho. Comunguemos com unção, com fervor, conscientes que penetra dentro de nós Deus, o nosso próprio Criador, o nosso Senhor, o nosso Deus e Pai.

Domingo de Ramos


Começamos hoje a Semana Santa com a celebração do Domingo de Ramos, a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém.

Diz o evangelho de Lucas que Jesus entrou cheio de glória, montado num burrinho. Esse fato é muito significativo. Quando Deus, no Antigo Testamento, prometeu a Abraão a terra e uma enorme descendência disse que seus filhos reinariam eternamente. O profeta Samuel foi à casa de David e quando Deus manifestou que era o eleito, o menor de sete irmãos, disse Deus que escolheu “um rei conforme o seu coração”. E Davi entrou triunfalmente em Jerusalém, sobre um burrinho, entre cantos e aclamações. Salomão, filho e sucessor de Davi, também entrou triunfante na cidade e sentou sobre o trono de seu pai quando Davi o fez seu sucessor.

 Jesus, da estirpe de David, Filho que reinará eternamente conforme a promessa a Abraão, entra hoje triunfante na cidade de Jerusalém. Cumpre o mesmo gesto que realizou Davi e Salomão, reis conforme o coração de Deus.

Deixemos Jesus entrar no nosso coração nesta Semana Santa. Que Ele seja o nosso rei. Aclamemos e vibremos de alegria porque hoje Deus quer entrar e reinar dentro da nossa alma.

Amém

Se Deus é amor, porque permite o mal?


O homem e a mulher de todos os tempos experimentam uma grande dificuldade: como conciliar entre si a divina Providência, a solicitude paterna de Deus pelo mundo criado e a realidade do mau e do sofrimento experimentada em diversos modos pelos homens? Ante esta dificuldade expressamos a Deus tantos interrogativos críticos porque realmente nos custa entender. Alguns chegam até a duvidar da existência de Deus por este motivo.

 O único modo adequado de encontrar uma resposta a este difícil interrogativo é buscá-lo nas páginas da Sagrada Escritura.

Antes de nada, temos que fazer uma importante distinção. Existem dois tipos de mau: o mau moral, que comporta uma culpa porque depende da livre vontade do homem e será sempre um mal de tipo espiritual. O segundo é o mau físico, que não inclui necessariamente e diretamente a vontade do homem. Às vezes, também podem ser causados pela ignorância ou falta de cautela por parte do homem. Existem alguns males físicos que sucedem independentemente do querer humano como os desastres naturais e, tão triste, as doenças somáticas e psíquicas.

 Como conciliar o sofrimento, essa experiência do mal que sentimos, com a solicitude paterna de Deus? Será que Deus realmente não quer o mal? Se Ele permite o mal, pode-se crer que Deus seja amor? Ele é onipotente para vencer e sobrepor-se ao mal?

 Não é fácil dar uma resposta. Somente a Palavra de Deus pode nos iluminar. Diz o livro da Sabedoria: “contra a Sabedoria o mal não prevalece” (7,30). Diante do mau, o Antigo Testamento dá testemunho que por encima sempre está a Sabedoria (Deus mesmo) e a bondade do Pai. Esta mesma atitude se desenvolve no livro de Jó, onde dá a entender a caducidade das coisas temporais que são contingentes, passageiras, corrutíveis.

 Deus não quer o mau, mas o permite sempre para um bem maior. Diz ainda o livro da Sabedoria: “Deus não é o autor da morte, a perdição dos vivos não lhe dá alegria alguma. Ele criou tudo para a existência” (1,13-14). Explicando esta passagem, o Papa João Paulo II dizia: “os seres materiais somos corrutíveis e padecemos a morte, faz parte da nossa natureza de criaturas”. Que significado mais profundo tem a existência como diz aqui a Sabedoria? Aquela existência na eternidade.

 Referente ao mau moral, ou seja, o pecado e a culpa nas diversas formas de males, Deus decisivamente e absolutamente não o quer. Ele poderia interferir? Poderia, porque é onipotente. Mas não o faz porque respeita a nossa liberdade. A existência de seres livres é para Deus um valor mais importante, ainda que infelizmente estes seres possam usar mal a sua liberdade.

 Como reage Deus diante do mau? Deus reage de muitas e diferentes formas como diferentes são os seus filhos, porque Ele sabe o que mais nos convém. Deus sempre tira dos males um bem maior. Talvez não o percebemos, pode ser um bem espiritual para a eternidade. Ao fazer um mau Deus não castiga, mas dá ainda mais bens, mais amor. Essa é a pedagogia divina. E atua com misericórdia, que significa que nos dá o que não merecemos. Não merecemos o seu perdão, tantos dons e mesmo assim, Ele dá porque nos ama.

 Fé, realmente só a fé nos dá forças nestes momentos difíceis. Abraçar-nos a Deus e não soltar-nos porque a dificuldade supera as nossas forças.

Missa de início do Pontificado


Acabei de chegar da Missa de início de Pontificado de Sua Santidade, Francisco. Esse homem de Deus não deixa de surpreender-nos cada dia mais.
        Um missa na qual estavam presentes mais de 200.000 pessoas, 132 delegações, presidentes de vários países como Cristina Fernández da Argentina, Dilma Rouseff, e vários outros. E o Papa durante a travessia com o papa-móvil na praça pediu para parar o carro e ele desceu para abraçar e abençoar um enfermo.

         Com este e muitos outros gestos demonstra o que com tanta força insistiu na sua homilia: o sucessor de Pedro tem um poder, mas é o poder do serviço aos demais."O verdadeiro exercício do poder é o serviço aos outros, especialmente aos mais pobres. Não podemos ter medo de amar" (Papa Francisco).

        

sexta-feira, 15 de março de 2013

Quando o senhor abrir o meu coração, vai encontrar Jesus lá?


Um exemplo diz mais que muitas palavras. A história deste médico é simplesmente extraordinária. Que difícil é entender o mal, o sofrimento, as penas que Deus permite nas nossas vidas, mas Jesus sempre nos surpreende com o seu amor, o seu carinho, o seu cuidado.

Um cirurgião cardíaco estava explicando para uma criança:
- amanhã de manhã eu vou ter que abrir o seu coração para fazer uma cirurgia.
E o menino interrompeu: Você encontrará Jesus lá?
O cirurgião olhou para ele, e continuou: vou ter que cortar uma parede para ver o dano total.
- Mas quando o senhor abrir o meu coração, encontrará Jesus lá? Novamente interrompeu a criança.

O cirurgião se voltou para os pais, que estavam sentados em silêncio:
         - Quando veja todos os danos, então verei o seguinte a fazer.
- Mas você encontrará Jesus em meu coração? A Bíblia diz muito claramente que Ele vive lá. Então você vai encontrá-lo no meu coração!

O cirurgião pensou que era suficiente e explicou:
         - Vou te dizer o que vou encontrar em seu coração ... vou encontrar uma massa muscular danificada, baixa resposta das células vermelhas do sangue, e fraqueza nas paredes e vidros. E além disso eu não sei se poderei ajudar ou não.

-Mas você encontrará Jesus ali também? É a sua casa, Ele vive sempre comigo.

         O cirurgião não tolerou mais os comentários repetidos e saiu. Em seguida, ele se sentou em seu escritório e começou a gravar seus estudos prévios para a cirurgia: aorta danificada, veia pulmonar danificada, degeneração muscular cardíaca massiva. Sem chance de transplante, dificilmente curável.
Terapia: analgésicos e repouso.
Previsão: tomou uma pausa e disse com tristeza: a morte no primeiro ano.

Então parou o gravador. “Mas eu tenho algo mais a dizer: Por que?” Perguntou em voz alta, “Por que Você fez isso? Você o colocou aqui, você lhe deu essa dor e condenou-o a uma morte precoce. Por quê?”

De repente, Deus, nosso Senhor disse:
- A criança, minhas ovelhas, e não pertencem ao seu rebanho. Esta criança é parte da minha vontade e minha desde toda a eternidade. Aqui no céu, em meu rebanho sagrado, não terá nenhuma dor, será consolado de uma forma inimaginável para você ou qualquer um. Seus pais um dia vão se juntar a ele, conhecerão a paz e a harmonia juntos em meu reino, e meu rebanho sagrado continuará a crescer.

O cirurgião começou a chorar muito, mas sentiu ainda mais o ressentimento, não entendia as razões. E ele respondeu:
- Você criou o menino, e seu coração. Por quê? Por que morrer em poucos meses?

O Senhor disse: Porque é tempo de regressar ao meu rebanho, já cumpriu a sua missão na terra. Há alguns anos atrás enviei uma ovelha com presentes, um médico para ajudar os seus irmãos, mas a ciência parece que esqueceu do seu Criador. Então eu mandei minha outra ovelha, a criança doente, para não que não se perdesse, mas para que voltasse para mim que há muito tempo estava perdido.

O cirurgião chorou e chorou inconsolavelmente.

Dias depois, após a cirurgia, o médico sentou ao lado da cama do filho, enquanto seus pais enfrentaram o médico.
O menino acordou e rapidamente perguntou ao doutor:
- o senhor abriu o meu coração?
- Sim - disse a cirurgião.
- O que você achou? perguntou a criança.
- Você estava certo, eu encontrei a Jesus.
Deus tem muitas formas e maneiras diferentes para que você volte para o seu lado. 

quinta-feira, 14 de março de 2013

Francisco I, conquistaste os nossos corações

     Ontem, às 19:05, subiu a famosa “fumata” pela chaminé da Capela Sixtina. Tive a enorme graça de presenciar este momento. Uma emoção só poder contemplar com os próprios olhos, ao vivo e a cores, aquele momento histórico tão importante.

     A praça de São Pedro estava repleta, e chovia constantemente. Desde que saiu a fumaça branca até o momento do “habemus Papam” (temos Papa) demorou pouco mais de uma hora. Durante este tempo a praça, que já estava cheia, ficou repleta.

     O cardeal proto-diácono é o encarregado de anunciar a grande notícia: “gaudium magnum nuntio vobis”. E a expectativa por escutar o nome fez um silêncio total entre a multidão presente. O nome do eleito surpreendeu a todos.

    Pouco depois do anúncio, as cortinas do balcão principal da basílica se fecharam novamente. Alguns minutos depois, que para nós pareceu uma eternidade, apareceu o Papa Francisco para saudar os presentes em toda a praça e até a metade da Via da Conciliazione.

     Seus gestos, suas palavras, conquistaram os corações de todos nós. Muitos detalhes demonstraram a sua grandeza de espírito.
     Em primeiro lugar, chama muito a atenção a sua enorme simplicidade. Vestia apenas uma batina branca, sem nenhum outro paramento pontifício. Sua forma de falar com o povo. Até mesmo nos desejou uma boa noite e um bom descanso.

     Logo, a oração. A primeira coisa que fez foi convidar-nos a orar, colocando em frente de tudo a Deus, nosso Senhor. Oramos pelo Papa emérito Bento XVI, oramos pedindo que Deus abençoasse o novo Papa, oramos por toda a Igreja.

     Depois das suas palavras dirigiu a bênção pontifícia e se retirou com todos os cardeais.

     Numa mensagem escrita pelo cardeal de Nova York, contou que o Papa, durante o jantar, dirigiu um brinde pedindo a Deus que perdoasse os cardeais pela escolha que fizeram. Que humilde servo de Deus. E ainda mais, no momento de ir à Santa Marta, onde ainda se aloja, rejeitou o carro papal e decidiu ir de ônibus com todos os demais cardeais. Que simplicidade de vida, que humildade, que amor.

     A bênção Papa Francisco! O senhor conquistou os nossos corações.

domingo, 10 de março de 2013

Evangelho (10/03/13)


“Levantar-me-ei e irei a meu pai, e dir-lhe-ei…”. O evangelho de hoje é maravilhoso. O filho pródigo pensa que longe da casa do seu pai encontrará a liberdade e a felicidade como ele sempre imaginou: fazer o que quiser, entregar-se aos seus gostos e prazeres, etc. Experimenta de tudo e o seu coração, por um fenômeno “inexplicável”, cada vez se sente mais infeliz, mais vazio, mais insatisfeito. Diz um poeta inglês: “porque não me aceitas, a felicidade que estás buscando não a encontrarás jamais”.

Cada palavra de são Lucas é repleta de significado. “Foi pôr-se a serviço de um dos habitantes ... e desejava fartar-se das vagens”. Longe da casa do pai não se encontra a verdadeira dignidade, nem mesmo o sustento. “Entrou em si e refletiu: “quantos na casa de meu pai tem pão em abundância e eu aqui”. Como se está bem em casa, mas às vezes, parece que só nos damos conta quando perdemos o que tínhamos para valorizá-lo. “Levantar-me-ei e irei a meu pai, e dir-lhe-ei…”. Aqui está o verdadeiro caminho de conversão: levantar-se na Sagrada Escritura não é só um gesto físico, mas também moral. Quanta força precisamos para tomar esta decisão, quanta humildade. É sem dúvida por graça divina.

Diz o evangelho que “estava ainda longe, quando seu pai o viu”. Viu porque todos estes anos estava esperando que seu filho voltasse. Imagino cada final de tarde, esse pai indo a este lugar mais alto da casa e olhando à distância com a esperança de ver voltar um dia seu filho. O recebe com os braços abertos e mais que aceitá-lo como empregado, o reveste de todas as suas dignidades de filho: “trazei-me depressa a melhor veste (sinal de realeza e dignidade) e vesti-lhe, e ponde-lhe o anel (com o qual assinavam, sinal de autoridade) e calçados nos pés (sinal de liberdade, os escravos não podiam usar sandálias)”.

Assim é Deus. Diz o salmo 102: “O Senhor é bom e misericordioso, lento para a cólera e cheio de clemência. Ele não está sempre a repreender, nem eterno é o seu ressentimento. Não nos trata segundo os nossos pecados, nem nos castiga em proporção de nossas faltas”.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Por que o mal existe?


     A partir desta semana vamos começar um ciclo de reflexões sobre o mistério do mal. O mal é e permanece para nós um mistério porque é difícil e, às vezes quase impossível, compreender e aceitar.

     Ante as manifestações desconcertantes do mal surge no nosso interior aquele questionamento profundo: se Deus é bom, por que permite certos males?

     À realidade do mal não existem respostas rápidas. É o conjunto da fé cristã que constitui a resposta à esta pergunta. Diz o catecismo que “não há nenhum elemento da fé cristã que não seja, por uma parte, uma resposta à questão do mal” (nº 309).

     Somente pela fé conseguimos aceitar e carregar certas dores, tragédias, percas.

Neste ciclo refletiremos em temas como:
·        Os diversos tipos de males
·        Deus é responsável do mal?
·        Por que existe o sofrimento inocente?
·        Etc.

domingo, 3 de março de 2013

Evangelho (03/03/2013)


Deus bate à nossa porta mas bate de forma muito suave, delicada. Ele jamais faz escândalo porque não quer entrar à força. Propõe, pede se quero. Por isso no Evangelho deste domingo (LC 13,1-9) Jesus repete o verbo convertei-vos.

            O quer dizer conversão? Significa mudança, troca. Não se trata só da conversão de uma religião à outra, de não ter fé a tê-la. A conversão que Jesus nos pede vai mais além. Ele pede que eu converta meus comportamentos, meus atos, meus pensamentos, meus juízos em cristãos, em comportamentos, atos, pensamentos, juízos como os seus, cheios de amor.

            Urge a conversão porque não sabemos nem o dia nem a hora. Em qualquer momento o Senhor pode chegar e pedir os frutos, como àquela figueira. O Espírito Santo que é como aquele viticultor pede outra chance. Ele cavará ao nosso redor e deitará adubo para ver se damos frutos. Frutos de conversão, frutos de bons filhos de Deus.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Deus é meu passageiro


         Quando amamos uma pessoa, o nosso filho, a nossa mãe, o nosso namorado ou a nossa namorada, o que fazemos? Queremos conversar, escutar a voz dele ou dela, sair juntos, compartilhar gostos, acompanhar nos momentos difíceis, enfim, estar do seu lado.

Do mesmo jeito acontece com Deus. Ele também é uma pessoa e amá-lo é amar como se ama uma pessoa. Existem muitas formas para estimular o amor a Deus: a oração, a vida sacramental, a leitura e contemplação do santo Evangelho. Mas eu gostaria de deter-me no mais simples e talvez, o mais íntimo: caminhar sempre com Deus do meu lado.

Lembro-me que uma vez a minha tia me disse que todos os dias quando ela vai para o trabalho reza no seu carro. Deus é o seu passageiro. Que coisa mais bonita e mais grandiosa. Quanto ajuda estes momentos de silêncio, e no íntimo do nosso coração fazer um colóquio com o nosso Senhor. Ele nos vê sempre, mas quanto gosta que dirijamos a Ele um pensamento, uma olhada amorosa, um gesto de carinho. Assim são as pessoas que se amam, querem sentir a atenção do amado.

Recordemos que Deus está sempre do nosso lado. Levemos sempre a Deus como nosso passageiro

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

O Papa explica os motivos da renúncia


Há 4 anos atrás saiu o livro-entrevista a Bento XVI com o título Luz do mundo. Em uma das perguntas, Peter Seewald, entrevistador e editor, interrogou o Papa sobre o que ele pensava de uma possível renúncia.
Vamos transcrever aqui estes pensamentos para que tenhamos uma idéia mais clara do que bento XVI pensa a respeito da importantíssima decisão que tomou.

Pergunta Peter referendo-se aos problemas de pedofilia muito latentes naquela época: A maioria destes incidentes ocorreu há décadas. No entanto, representam um fardo, especialmente para seu pontificado. O senhor já pensou em renunciar?Se o perigo é grande não se deve fugir dele. Portanto, não é agora certamente a hora de parar. Especialmente em um momento como este, devemos permanecer firmes e enfrentar a situação difícil. Essa é a minha reflexão. Você pode renunciar em um momento sereno, ou quando já não pode mais. Mas você não deve desistir na hora do perigo e dizer que alguém faça o que você deveria fazer.
Sim, se o papa chega a reconhecer com clareza que fisicamente, psicologicamente e mentalmente não é capaz da carga do seu ofício, tem o direito e, em certas circunstâncias, o dever de renunciar.
E mais adiante: Então, pode-se pensar em uma situação em que o senhor considere adequada uma renúncia do papa? Sim, se o papa chega a reconhecer com clareza que fisicamente, psicologicamente e mentalmente não é capaz da carga do seu ofício, tem o direito e, em certas circunstâncias, o dever de renunciar.